quinta-feira, 20 de março de 2008

Lembrando do livre-arbítrio

Hoje, gostaria de colocar em questão algumas atitudes em que nos vemos inseridos, às vezes. Diante da guerra, da morte, da injustiça humana, freqüentemente, muitos de nós se perguntam por Deus: Onde está Deus? Da mesma forma, quando vemos problemas se multiplicarem a nossa volta, fazemos essa pergunta.

O tema que quero trazer é o do livre-arbítrio. Muitas vezes na minha vida, desejei que Deus não me tivesse dado a liberdade, para que eu pudesse viver sempre de acordo com a Sua vontade. Ter livre-arbítrio, significa, antes de tudo, que podemos errar. E os nossos erros têm conseqüências. Conseqüências enormes por vezes. Um livro propício a essa reflexão é o livro de Jó, onde Deus pergunta:

Você vai pôr em dúvida a minha justiça?
Condenar-me para justificar-se? (Jó 40:8)

Na verdade, é o momento que nos responsabilizemos por nossas faltas, pois só assim, podemos buscar a Deus de coração sincero, sabendo que só Ele pode mostrar os caminhos para que tenhamos sucesso em nossas escolhas. E que por nossa guia, os trabalhos são imperfeitos e infrutíferos.

Se alguns perguntam, entretanto: Por que é que crianças pagam pelo pecado de outros? Digo que, o resultado do pecado humano, para quem peca é inferno espiritual, mas para quem sofre as conseqüências do pecado é físico apenas, é carnal. Um cristão pode suportar bem as conseqüências do pecado alheio, porque tem amor, paz. Mas os que se indignam diante da miséria e da morte, ainda estão vivendo conforme a carne, porque é nela que vêem valor. Porque são influenciados pelas coisas a sua volta e não tem a fé constante em Deus.

Diante do pecado, o cristão tem poder transformador. Ele não só tem a força para suportar, como a direção para transformar.

Quando Jesus toma sobre si o nosso fardo (e as acusações injustas que lhe fizemos), se cremos nele e somos nova criatura, quebramos também com toda a influência exterior sobre nós, com o nosso passado e com o determinismo da nossa geração ou da cultura de um país (em Deus, temos liberdade) e já não podemos responsabilizar o pecado de outros pelo nosso pecado.

Busquemos assim, não abundância exterior, mas abundância de vida, interior. Pois abundância de vida transforma todo o resto, mas abundância material não satisfaz a nossa alma, e muitos que a têm, tem ainda preferido a morte.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Uma escolha...


"Vê: Hoje ponho diante de ti a vida e a felicidade, a morte e a infelicidade, eu, que hoje te ordeno ames o Senhor, teu Deus, andes nos seus caminhos, guardes os seus mandamentos, suas leis e seus costumes. Então, viverás e te tornarás numeroso, e o Senhor, teu Deus te abençoará na terra onde entras para delas tomares posse."

Deuteronômio 30:15-16

"Hoje, tomo como testemunhas contra vós o céu e a terra: foi a vida e a morte que pus diante de ti, a bênção e a maldição. Escolherás a vida, para que vivas, tu e tua descendência, amando o Senhor teu Deus, escutando a sua voz e ligando-te a ele. Nisto está a tua vida e tua longeividade, para habitares no solo que o Senhor, teu Deus, jurou dar a teus pais, a Abraão, Isaac e Jacó."
Dt. 30:19-20


Por que uma palavra tão clara e profunda pode ser tão distante aos nossos ouvidos?

Esta palavra vem a devolver-nos a responsabilidade pela situação em que se encontra a nossa vida. Dizer-nos que Deus nos deu a possibilidade de escolher entre felicidade e infelicidade. Símbolo disso é também dizer: Vida e Morte. E muitos de nós escolhem diariamente a morte. Não somente a morte da carne.

Nunca se tratou de chegar a uma conclusão racional sobre Deus. No nosso íntimo o sabemos. Trata-se de uma questão de fé, trata-se de uma escolha. Jesus vêm à terra como aquele que é o mediador, aquele que é o Caminho capaz de nos levar à Vida. Aqueles que crêem na autoridade de Jesus, escolhem a Vida. Aqueles que ouvem a sua palavra e a seguem, estão buscando a Deus e se aproximando dele.

Durante muito tempo de nossas vidas fizemos a escolha diária da Morte. Mas Deus põe diante de nós essa escolha, hoje, ordenando que escolhamos, dessa vez, Viver! Viver é viver nele e é estar com ele. A vontade de Deus é que vivamos! É que sejamos felizes e tenhamos uma vida plena... de sentido, de amor.

Quem segue a Jesus também levará seu fardo, mas é um fardo suave, leve, não o fardo opressor que tem esmagado a nossa postura, dignidade e nos impedido de demonstrar amor uns para com os outros...


Uma boa Páscoa a todos, é o que desejo com fé...
(E creio que terão... é uma data em que muitos mortos ressucitam!)

segunda-feira, 10 de março de 2008

O amor da minha vida

Que essa inspiração possa servir as mulheres cristãs.... fica como uma homenagem ao dia da mulher!

O amor da minha vida é eternamente fiel. Ele me protege como um jardim fechado. Desde a manhã, eu o desejo. Minha alma tem sede dele, minha carne desfalece por ele... como terra ressequida, sem água. Quando o seu olhar cai sobre mim, eu me prostro. Quando ouço sua voz, meu coração se enche de uma plenitude inigualável... Nada me falta. E ainda que eu andasse pelo vale da morte, não temeria, porque ele está comigo. E eu sou para ele como o templo em que ele descansa sua alma. E ele me ama. Ele é o meu senhor, é tudo o que me importa. Por ele eu deixo tudo para trás, para ele eu vivo, como ele morreu por mim. E cada parcela do amor que eu sinto por ele é enorme e intensa e me faz chorar... A ele eu fui em cacos, como uma mulher incompleta e dividida e o amor dele me restaurou e me fez única e perfeita aos seus olhos. Ele conheceu todo o meu passado e me amou apesar disso. Ele me conhece... sabe do meu coração. E ele é único. Ele é o meu Senhor e o meu Deus!

sábado, 8 de março de 2008

A soberania de Deus

Cinge os teus rins, como um valente.
Vou te interrogar e tu me intruirás.
Pretendes mesmo anular meu julgamento,
condenar-me, para te justificar?
Tens um braço semelhante ao de Deus,
tua voz troveja como a dele?
Orna-te de majestade e grandeza,
reveste-te de glória e de esplendor.
Dá livre curso às vagas de tua ira,
humilha os orgulhosos com um olhar.
Dobra com os olhos todos os soberbos,
esmaga os malvados no lugar.
Todos juntos, mistura-os no pó,
amordaça-os para sempre na masmorra.
Destarte, eu também te louvarei,
pois tua destra valeu-te a vitória.
Jó 40:7:14

Nessa passagem, Deus mostra a sua soberania sobre os homens, ao conversar com Jó. Põe em questão o orgulho de Jó para dizer: que pode a tua ira ou o teu braço contra os injustos? Ao mesmo tempo, Deus mostra a sua autoridade, porque ele capaz de dobrar os soberbos e humilhar os orgulhosos com um olhar. Deus é justo e soberano. No Antigo Testamento, o que seria considerado o primeiro ato de fé, é reconhecer o poder de Deus sobre nós. Como na passagem de Ezequiel 35:3-4:

Assim fala o Senhor Deus: Tomo posição contra ti, montanha de Seir. Estenderei a mão sobre ti e farei de ti uma solidão desolada. Arruinarei tuas cidades; tu mesmo te tornarás um deserto; então conhecerás que eu sou o Senhor.

Assim, em muitas passagens também, Deus apresenta sua ira contra cidades inteiras, e por elas podemos ver, às vezes, a forma como Deus age individualmente em nossas vidas. E, na maioria das vezes, há uma razão mais amorosa e justa do que o castigo humano - é o amor de Deus, de querer fazer-nos retornar a Ele. Ou a demonstração de seu poder sobre nós, para que nos prostremos novamente diante dEle, dizendo, "Sim, tu é o meu Deus".

Ó Deus, o meu Deus és tu! Desde a aurora eu te desejo; minh'alma tem sede de ti; minha carne desfalece por ti, em uma terra ressequida, esgotada, sem água. Salmo 63:1

Tu me tiraste do ventre da minha mãe e me puseste a seguro sobre o seu seio. Desde que saí do útero fui entregue a ti; desde o ventre de minha mãe, meu Deus és tu! Salmo 22: 10

(O Salmo 22 é aquele que começa com Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste? e é o salmo que Jesus recitou, ou cantou, antes de morrer na cruz. Ambos os salmos são muito especiais, para quem quiser se aprofundar no sentimento de louvor a Deus.)

Glória a Deus e paz a todos.

quinta-feira, 6 de março de 2008

O problema da unidade/ trindade

Um dos mistérios do Evangelho diz respeito à relação entre Jesus e Deus. Quando procuramos estabelecer com palavras humanas essa explicação, surgem divergências na Igreja: Jesus é Deus ou Jesus não é Deus?

Sabemos, de princípio, que Jesus é filho de Deus e que por essa condição Deus estava nele:

Você não crê que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu lhes digo não são apenas minhas, ao contrário, o Pai que vive em mim, está realizando a sua obra. João 14:10

Toda palavra proferida de Jesus provinha do Pai e era como o próprio Pai falando. É por isso que João 1:1 diz que Jesus é a Palavra.

Aquele que é a Palavra tornou-se carne e viveu entre nós... João 1:1,14

Assim, Jesus é também encarnação da Palavra de Deus e não apenas alguém inspirado pelo Seu Espírito Santo. A sua comunhão com Deus era extrema e constante, enquanto a nossa é instável. Por causa dessa comunhão e da natureza de Jesus como encarnação da Palavra de Deus é que ele afirma:

Eu e o pai somos um.

João 10:30

Esta expressão seria o mesmo que dizer que Jesus é Deus? Aparentemente, sim. Mas é através da Palavra que Jesus o afirma. Assim, aquele que fala, o autor, aquele que está como o Eu que profere essa enunciação é Um com Deus. Julguemos sobre nós mesmos se a nossa fala está identificada com nós mesmos? Da mesma forma a fala de Jesus está identificada com Deus.

Jesus é a Palavra e é por isso que
"todas as coisas foram feitas por intermédio dele; sem ele nada do que existe teria sido feito" João 1:3. Compreendemos essa palavra por causa de Genesis 1, em que Deus criou os céus e a terra e todas as coisas por meio, ou por intermédio, da palavra ("Disse Deus... e assim foi..."). Mas porque Jesus é a Palavra, "Ele estava com Deus, e era Deus" João 1:2.

Jesus expressa esse mistério quando diz:


Eu lhes disse que vocês morrerão em seus pecados. Se vocês não crêrem que Eu Sou, morreram em seus pecados.
João 8:24

E, em seguida:

Quando vocês levantarem o Filho do homem, saberão que Eu Sou, e que nada faço de mim mesmo, mas falo exatamente o que o Pai me ensinou.
João 8:28

Dizendo isso, Jesus
usa o nome do Senhor, conforme o vemos em Êxodo 3:14:

Moisés perguntou: "Quando eu chegar aos israelitas e lhe disser: O Deus dos seus antepassados me enviou a vocês, e eles me perguntarem: 'Qual é o nome dele?' Que lhes direi?"

Disse Deus a Moisés "Eu Sou o que Sou. É isto que você dirá aos israelitas: Eu Sou me enviou a vocês"

Qual é então esse mistério? Que só Jesus fala sobre si mesmo "Eu Sou" e que nós dizemos que a Palavra que se tornou carne estava com Deus e era Deus. Respeitando o mistério, podemos ver que há uma identificação de Deus com a Sua Palavra, por meio do qual ele realiza todas as suas obras, ainda que Ele seja maior, conforme diz Jesus, em João 14:28: "o Pai é maior do que Eu".

Tal é mistério, que Jesus seja ao mesmo tempo diferente e igual a Deus. E podemos finalizar com essas palavras:


Quando Jesus disse que era um com o Pai, ainda em João 10, os judeus responderam: "Não vamos apedrejá-lo por nenhuma boa obra, mas pela blasfêmia, porque você é um simples homem e se apresenta como Deus."
Jesus lhes respondeu: "Não está escrito na Lei de vocês: 'Eu disse: Vocês são deuses'? Se ele chamou 'deuses àqueles a quem veio a Palavra de Deus (e a Escritura não pode ser anulada), que dizer a respeito daquele a quem o Pai santificou e enviou ao mundo? Então porque vocês me acusam de blasfêmia porque eu disse: Sou filho de Deus?"

Dizendo assim, Jesus falava do salmo 82:6: "Eu disse: Vocês são deuses, todos vocês filhos do Altíssimo. Mas vocês morrerão como simples homens: cairão como qualquer outro governante."

As passagens que citei são mais vastas, para quem desejar se aprofundar nesse mistério, a fim de compreender melhor e eu aconselho lê-las.

Toda a Glória a Deus e paz a todos.

sábado, 1 de março de 2008

Perder o mundo para ganhar a Deus

"Se alguém vier a mim sem preferir ao seu pai, à sua mãe, à sua mulher, aos seus filhos, às suas irmãs, aos seus irmãos e até à própria vida, não pode ser meu discípulo. Aquele que não carrega a sua cruz e não vem em meu seguimento não pode ser meu discípulo." Lucas 14:26-27

Abraão dispôs-se a sacrificar o seu filho pelo Senhor, mas foi esse mesmo Senhor que lhe deu o seu filho já em idade muito avançada. Porque tudo o que temos vem dEle.

Muito foi exigido a Abraão, porque passou toda a sua vida crendo que não poderia ter filhos, mas ao fim, teve uma descendência que se conta "com as estrelas no céu". Era parte do plano do Senhor.

Jesus é também sacrifício de Deus por amor a nós, em mesma medida. O que é afinal, mais importante do que Deus para nós? Se há algo capaz de afastar-nos do seu amor, é porque nunca tivemos de fato por ele, amor sobre todas as outras coisas; esse é o primeiro mandamento.E são muitos os que se afastam dele por terem perdido uma pessoa amada, ou por terem perdido bens materiais (nesse caso, é Jó um bom exemplo). E há ainda, pessoas como eu, que se afastaram do Pai por orgulho, excesso de amor próprio... Eu, na época, não fui fiel o suficiente, ou humilde o bastante, para pôr a minha vontade abaixo da vontade do Senhor.